Sun in an empty room

Tenho medo da lentidão, tenho medo de gostar tanto da lentidão e viver dentro e me rastejar na lentidão. O tempo passa, o sol se move, o sol não bate mais como antes no papel de parede amarelo. E eu só consigo pairar como essa poeira em que o sol incide, essa sujeira, esse resto do que já passou.

Volto nesse lugar e vejo meu antigo quarto completamente vazio.

Fios de cabelo perdidos. Fios de cabelo encontrados em um campo de concentração. Sempre há rastros.

Não sei o que me levou até aqui. Tudo tão familiar, sei dizer quantas horas são apenas olhando para os raios de sol que tocam o papel de parede amarelo. Passei tantos dias deitada ouvindo o papel de parede amarelo. Tudo tão estranho. Há coisas que não reconheço mais.

O sol nunca banha todo quarto de maneira uniforme, sempre há frestas. Nunca o amarelo ouro, sempre o ocre. Por mais que o sol se esforce, por mais que abra a janela, por mais que não haja cortinas, nunca se ilumina aquele canto. Quero entrar naquele canto e me transformar nele e ser aquele canto. E me esconder de tudo.

“But here I can creep smoothly on the floor, and my shoulder just fits in that long smooch around the wall, so I cannot lose my way.”

Sempre as paredes, nunca as janelas, o teto, o chão. Sempre as paredes amarelas.

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1 comentário

Arquivado em júlia arantes

Uma resposta para “Sun in an empty room

  1. Thais M.

    “Tenho medo da lentidão, tenho medo de gostar tanto da lentidão e viver dentro e me rastejar na lentidão.” – Jackpot, Júlia! 🙂

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