verascópio

o mundo se perde, quem não apreende sou eu. cada vez compreende-se menos. acordo todos os dias entendendo menos do que entendi ontem.

então aqui está, sentado na cadeira. dormindo. e os fones de ouvido, porque desde que começou a perder a audição não passa um segundo sem ouvir… qualquer coisa. dorme com a tranquilidade de uma criança, o sossego de quem viveu no mundo o que havia de ser vivido. e agora apenas observa.

não compreendo a tranquilidade. o que conheço é ânsia, medo e também perturbação. sinto-me viva desta maneira, talvez estranha, mas minha. não entendo como seria entender. não consigo imaginar qual o sentimento de existir e compreender a própria existência. ele enxerga a si mesmo, ainda que cego. ele sorri ao sentir o cheiro da velha esposa que se aproxima e sorri ao dormir em uma tarde quente e preguiçosa. ele sorri, simplesmente.

minha exaustão invade e corrói tudo que toco. perco a realidade ao transpor para fora o que se encontrava no interior. construo uma cidade tediosa, amigos superficiais e a total falta de interesse. vejo no mundo o que encontro em mim e depreendo de minha leitura um mundo tumultuado por coisas odiosas.

a cegueira, não a edipiana, mas a incapacidade consciente de ver, faz do mundo um esboço intricado que jamais poderei tocar.

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