Arquivo da categoria: convidados

Bazar convida: Maeli Caesar:

Eu sempre quis ter uma vida sem despertadores, acordar numa segunda-feira ensolarada ou chuvosa sem zunidos estridentes, sem tic-tacs frenéticos.

A vida não espera ninguém e o tempo me levou com ele, sempre vestido de pressa, do despertar desesperado e do som caótico que me protegia dos pensamentos menores. Corri para não ficar olhando a vida passar.

De repente eu percebi a vida mais lenta, agora esperando que eu me levante vagarosamente da cama para ir ao banheiro lavar vagas idéias de noites longas e despertas.

Eu freqüentemente vou à sala, ouço alguma música no repeat, na intenção de encontrar a pressa que o tempo resolveu parar de ter.

Ontem, anteontem, hoje? Procuro os despertadores e ouço o meu coração acelerado, eu me pergunto a todo o momento se já almocei, tomei café da manhã ou se estou realmente com fome.

Voltar no tempo, saber contar as horas, tudo isso me soa grande e bonito, penso que as utopias sempre tiveram algo a ver com o tempo. Chamo alguém que me diz que o problema, como foi dito há pouco – Foi? Eu finjo que sim, parece que é mau, paro de compreender ali. Pergunto novamente sobre o almoço que não sai – A Sra. já não está com fome, e eu me concentro para fazer o ronco no estômago desaparecer, para tentar me lembrar do alimento que eu tanto desejo e que dá espaço a vontade mais urgente, preciso ir ao banheiro. Volto, vou me deitar.

Tenho sonhado com uma sala repleta de cucos e durante repentes de lucidez misturo o mal de não saber contar os meus dias vindouros com a falta de capacidade para compreender os passados. Grito em pensamento sem que ninguém me escute, fico na dúvida se já compartilhei o meu sofrimento e prefiro me calar, justifico assim a falta de resposta, o adeus que não vem.

Amanhã darei corda ao despertador que vejo no criado-mudo, se houver tic-tacs e alardes, voltarei a dormir, o tempo não permitirá atitudes contrárias. Talvez durante a tarde, eu me pergunte se ouvi realmente um sinal ou se já é hora de dormir, esvaziar a cabeça, deixar o tempo correr.

Certa vez me disseram que o tempo passa como uma lamparina sobre os nossos dias e faz surgir tudo o que existe, fecho os olhos apesar da luz acesa.

Acordei há pouco, gostaria de tomar um belo café-da-manhã.

2 Comentários

Arquivado em convidados

Seção: Bazar convida

Preocupação com o meio ambiente ou engodo?

02/11/2012

Eu era garoto e ia com o meu saudoso pai ao armazém.

Ficava encantado com as latarias e garrafas de vidro cuidadosamente arrumadas nas prateleiras atrás do balcão, forrado de mármore. À frente ficavam as sacarias com os cereais. Arroz, feijão e outros ficavam em sacos de sisal ou de algodão com a boca enrolada. Havia ainda as batatas acondicionadas da mesma forma tudo servido em sacos de papel e pesados em uma balança de balcão. Banha e manteiga em latões eram embalados em papel celofane.

Uma vez fechada a conta, era feito um embrulho em papel manilha amarrado com uma corda fina e resistente de sisal. Um pacote bem feito e com uma alça para facilitar o transporte. Sacolas de lona ou de palha transportavam  mercadorias mais frágeis.

Cresci um pouco e fiquei encantado com um “Peg Pag” inaugurado também perto de casa. Era uma nova forma de atender. Ou de não atender. O próprio “freguês” servia-se e se dirigia ao caixa. Muito mais rápido e eficiente. E esta tendência se firmou. Acabaram-se os armazéns.

A forma de embalar teve que se adaptar aos novos tempos. Os sacos de papel foram substituídas pelos de plástico, que permitem inspecionar melhor o conteúdo das embalagens. Papelão deu lugar ao isopor. Tudo muito “moderno”. As sacolas de lona ou de palha cederam lugar às sacolas de plástico.

Hoje chegou-se à conclusão de que a nova forma agredia ao meio ambiente. As sacolas plásticas que substituíram as de lona e de palha agora são proibidas… Certo. E o resto? Temos ainda as embalagens de cereais, açúcares e farinhas em sacos plásticos. O isopor recoberto de película plástica continua existindo para acondicionar carnes e legumes. Sacos plásticos continuam sendo utilizados para acondicionar verduras, batatas, cebola. Estas embalagens são boas para o meio ambiente?

Se queremos contribuir para o meio-ambiente devemos proibir a forma de comercialização e exigir a volta dos velhos e eficientes armazéns de esquina, com embalagens totalmente biodegradáveis.

Abaixo os supermercados por um meio ambiente melhor! Devemos exigir a volta dos armazéns e empórios da esquina de casa!

Fonte: http://erickfigueiredo.wordpress.com/

1 comentário

Arquivado em convidados